Minha mãe me chamava de simples funcionária da portaria, mas quando o guarda leu meu crachá, empalideceu de repente.

— O que é isso? — perguntou ela.

— Meu futuro — respondi.

Seus dedos apertaram o envelope.

E agora, trinta anos depois, aquela mesma mulher estava sentada à minha frente, enquanto o comandante da base já estava a caminho. Derek olhou para mim irritado, como se aquilo fosse apenas mais um obstáculo aos seus planos.

— Abra a barreira — ordenou minha mãe. — Ela não tem autoridade aqui.

Um segundo telefone tocou na cabine. O guarda pegou o telefone, olhou para mim e disse:

“Almirante, o comandante quer saber se devo retê-los no portão ou preparar a sala de interrogatório.”

Derek empalideceu.

Minha mãe prendeu a respiração por uma fração de segundo.

PARTE 2
Minha mão hesitou no fecho de metal, mas não abri a maleta.

Primeiro, queria ver por quanto tempo minha mãe conseguiria fingir que ainda estava no controle.

O comandante da base apareceu três minutos depois. Caminhava rapidamente, em seu uniforme azul-marinho, seguido por dois oficiais. No portão, o vento chicoteava as flâmulas, suas pontas batendo nos postes. Cada batida soava como uma contagem regressiva.

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